PARTICIPAÇÃO É GRATUITA E MOSTRA ACONTECE ENTRE OS DIAS 13 E 15 DE JULHO
A MEMÓRIA COMO TECNOLOGIA DE RESISTÊNCIA
A 8ª Mostra Quariterê de Cinema, idealizada pelo Instituto Quariterê, propõe em 2026 uma reflexão que tem sido um movimento do cinema brasileiro contemporâneo: lançar um olhar para a memória como instrumento do fazer cinematográfico a partir do tema “A Memória como Tecnologia de Resistência”.
Ao eleger a memória como um dos pilares fundamentais para pensar a sociedade brasileira atual, a Mostra reconhece que recordar não é apenas revisitar o passado, é um ato político. Para populações indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, a memória é herança viva, um sistema ancestral de saberes que estrutura modos de existir, resistir e reinventar o presente.
Esses saberes se perpetuam na oralidade; na literatura; nos territórios; nas ruínas e nas cidades erguidas; nos sonhos; nas narrativas; e também no cinema. Recordar é um gesto intencional de trazer à luz acontecimentos, personagens e histórias historicamente invisibilizadas.
Ao ampliar o conceito de tecnologia – compreendida não apenas como aparato industrial, mas como sistematização de métodos, práticas e conhecimentos -, a Mostra convida à reflexão sobre a memória como ferramenta tecnológica de sobrevivência. Os quilombos, por exemplo, constituíram sofisticadas formas de organização social, territorial, administrativa e política, criadas por pessoas que fugiam do sistema escravocrata e que estabeleceram sociedades com gestão própria. Nelas, a memória operava como estratégia, conhecimento compartilhado e tecnologia coletiva de resistência.
Nesse contexto, o cinema assume papel central. Ficção, documentário, experimental, animação, em que cada gênero carrega marcas do seu tempo, registrando sensibilidades, conflitos e transformações históricas. O cinema é, simultaneamente, arquivo e invenção de memória.
No caso do cinema mato-grossense, com produções que remontam ao início do século XX até os dias de hoje, observam-se narrativas e representações que revelam recortes históricos, sociais e culturais do território e da sociedade de Mato Grosso. Essas obras formam um patrimônio simbólico que dialoga com as disputas e constituições de memórias brasileiras.
Desse modo, a 8ª Mostra Quariterê de Cinema se apresenta como um espaço de provocação: Qual é a memória cinematográfica das pessoas racializadas no Brasil?
E mais: como fomentá-la por meio da exibição, valorização e reconhecimento?


Mostras e festivais cumprem papel fundamental como vitrines e espaços de formação de público. Não há filme sem tela. Não há cinema sem espectador. Ao promover encontros entre obras e audiência, a Mostra fortalece circuitos de circulação, amplia repertórios e contribui para a construção de uma memória coletiva e plural.
Pensar a memória como tecnologia de resistência é compreender que lembrar não é apenas um ato de evocação, mas um gesto político de continuidade e afirmação da existência. É reconhecer que o ontem sustenta o hoje e projeta o amanhã. É um fazer cinematográfico que se configura como ferramenta ativa na ampliação da consciência crítico-política e social, na criação de novos imaginários sobre as populações racializadas brasileiras e na afirmação de que existem outros horizontes, através da elaboração do sonhar coletivo como realidade e concretude possível.
13 a 15 de março de 2026
Programação Gratuita
PRESENCIAL
MISC (Museu de Imagem e Som de Cuiabá)
Rua 7 de Setembro, 350 – Centro Norte, Cuiabá
O espaço conta com estrutura acessível para pessoas com deficiência,
incluindo plataforma elevatória e banheiros adaptados.

































